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Unidade e Rebelião

Mas, Josué tinha ordenado ao povo: “Não dêem o brado de guerra, não levantem a voz, não digam palavra alguma, até ao dia em que eu lhes ordenar. Então vocês gritarão!” Josué 6:10

A ordem acima, proclamada pelo recém empossado líder de Israel, aconteceu durante os preparativos da conquista da cidade de Jericó. Em sua primeira empreitada, Josué deu esta ordem um tanto quanto curiosa: “não digam palavra alguma”. Analisando o contexto, podemos inferir o motivo: Josué tinha a missão de substituir nada mais, nada menos, do que Moisés, o grande libertador do povo do Egito. Esta era a sua primeira batalha na liderança. Ele já havia demonstrado todo seu potencial como guerreiro, mas como líder era uma incógnita para o povo. Além do mais, a cidade de Jericó era a mais fortificada da região, com altos muros impenetráveis.

Diante deste quadro, Josué tinha o que era fundamental para a sua missão: a visão estratégica. Um planejamento nada ortodoxo, é verdade… rodear a cidade durante uma semana sem esboçar qualquer tentativa de ataque. Mas ainda assim, uma estratégia dada por Deus de forma que Josué não tinha dúvida alguma do sucesso, desde que cumprido à risca, com todo o povo participando em obediência. A questão era: dadas as circunstâncias, será que o povo estaria tão confiante como ele? Portanto, agora começamos a entender o motivo da ordem pelo silêncio.

Infelizmente, o ser humano, no geral, é uma criatura difícil de se lidar! Adora falar o que não deve na hora mais inadequada. Mesmo antes de ter qualquer comprovação de erro, fica especulando contra sua liderança. Insubmissão é um traço terrível do caráter humano. Imagine alguns dentre o povo espalhando o seguinte pensamento: “Rodear a cidade? Josué perdeu o juízo? Está ainda abalado pela morte de Moisés? Onde já se viu ficarmos uma semana dando voltas em uma cidade sem lutarmos? Isso nunca vai dar certo! Não pode ser ordem de Deus. Josué vai nos levar pra morte!” Em pouco tempo haveria um bando de amotinados, cada qual seguindo seus próprios líderes autoimpostos.

A Unidade é uma condição fundamental para vencermos algumas batalhas. Não quero com isso dizer que devemos ser coniventes com líderes quando eles estão indo contra a lei ou contra os próprios liderados se aproveitando de sua posição! É evidente que não! Mas se a divergência é apenas de opinião ou de visão, sejamos sensatos para falar no momento certo e diretamente com o líder. Se decidimos nos sujeitar a uma liderança, por que razão vamos semear contendas ou corroer o grupo de dentro pra fora? Um líder já possui muita responsabilidade para ficar ainda lutando contra seus próprios liderados. Divididos, somos muito limitados.

Vamos aprender a controlar nossa vontade de criticar!